11.11.13

Divagando

As vezes nós nos vemos em um mar da nossa própria ignorância, nadando feliz sem sequer olhar pros lados, mas e quando as águas se agitam que você começa a afundar. O primeiro caldo que eu tomei de forma significativa foi quando eu descobri que eu fiquei 14 anos da minha vida estudando e ao mesmo tempo servindo de peão pois, o modelo de ensino que eu fui submetida era um modelo fortemente influenciado pelo modelo fordista de produção. Me senti uma peça e entendi como Charles Chaplin "se sentiu" no filme Tempos Modernos. 
Um pouco mais tarde eu descobri que estava e ainda estou impregnada com o preconceito contra gays e negros mesmo eu namorando uma garota "negra" e depois descobri que eu sou macista e tenho forte preconceito contra mulheres mesmo eu sendo uma, descobri que eu tenho preconceito contra corpos que não se adequam ao modelo de beleza fabricado mesmo eu não sendo um exemplo disso, descobri que eu ainda sou um peão perfeito do coronelismo e consequentemente faço parte da mais perfeita massa de manobra.
Pois é, eu já afundei no meu mar de ignorância, mas agora eu estou emergindo. Aquilo que antes fora meu ponto calmo e feliz agora é um incomodo, algo que eu quero tirar de mim. 
Eu não me culpo por ter essas características, já que essas coisas estão enraizadas na nossa sociedade como um todo mas eu agradeço por ter sido acordada, mesmo que aos poucos, e mesmo que em passos lentos, eu vou apendendo a desaprender tudo de ruim do que me foi ensinado, e no fim, deixar de ser um brinquedo da sociedade. Ser alguém de verdade.




Como já dizia uma mestra minha: A ignorância é uma benção.

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